Cotidianas
- Guaxupé
Contradições e cobrança por transparência marcam audiência pública sobre a Sociedade Esportiva Guaxupé
6 de julho de 2026
Vereadores e comunidade apontam descumprimento estatutário, falta de prestação de contas e debatem caminhos para o resgate do patrimônio histórico do clube.
A Comissão de Educação, Cultura e Esportes da Câmara Municipal de Guaxupé realizou uma audiência pública para discutir a real situação administrativa, financeira, patrimonial e de gestão da Sociedade Esportiva Guaxupé. O encontro foi motivado por questionamentos anteriores levantados aos vereadores da Casa. Diante de uma série de contradições, denúncias de descumprimento estatutário e forte insatisfação da comunidade desportiva local, os parlamentares anunciaram que encaminharão toda a documentação e a ata da sessão as autoridades competentes.
A reunião teve como objetivo principal trazer transparência e respostas à população e aos torcedores sobre o sumiço do time dos gramados. Durante o debate, a atual presidente da entidade, Rosemeire Benício, defendeu sua gestão, afirmando que atua de forma voluntária e que não contraiu novas dívidas para o clube. Ela justificou que os atrasos em campo decorrem de impasses jurídicos, da falta de um campo municipal para treinamentos e de uma multa de reativação profissional junto à Federação Mineira de Futebol (FMF) no valor de R$ 200 mil. Segundo ela, a previsão orçamentária estimada para o clube em 2026 é de R$ 144 mil mensais.
Os membros da Comissão e os vereadores presentes confrontaram a presidente com base no próprio estatuto da Sociedade Esportiva. Foi apontado que a diretoria descumpriu normas cruciais, como a ausência da nomeação de 13 diretores previstos e a não criação de um Conselho Fiscal, órgão indispensável para fiscalizar e validar balancetes financeiros. Além disso, causou estranheza o fato de que cerca de 99% da atual diretoria e do quadro de conselheiros seja composta por pessoas residentes fora de Guaxupé (como Rio de Janeiro e São Paulo).
Outro ponto crítico foi a falta de publicidade nas prestações de contas, que, segundo a mesa diretora, não são divulgadas de forma ampla em site ou sede social, ficando restritas apenas a atas internas.
A audiência também abriu espaço para cidadãos e ex-colaboradores que ajudaram a construir a história do clube. O ex-vice-presidente Carlos Alberto Pallos (Carlinhos Português) desabafou na tribuna, afirmando que se desligou da entidade no passado por discordar da falta de transparência e de “promessas financeiras que nunca se concretizavam”. Ele ressaltou que o município não conseguirá sustentar o futebol profissional se não sanear as contas primeiro.
A contadora Onair Justino, cujo escritório atendeu voluntariamente a Sociedade Esportiva por anos, apresentou documentos à Comissão demonstrando que a atual gestão passou meses sem responder aos pedidos formais de prestação de contas. Ela revelou que o último balanço oficial em seu poder apontava um saldo em caixa de apenas R$ 1.434,58, rebatendo a afirmação da presidência de que o clube possuiria reservas maiores oriundas de associados.
Diante do cenário classificado pelos vereadores como “nebuloso” e “estarrecedor”, a Comissão de Esportes e os demais parlamentares discutiram os passos institucionais e cíveis e as medidas cabíveis para recomendar a destituição ou a convocação de novas eleições legítimas, devolvendo a Sociedade Esportiva Guaxupé aos cidadãos locais.
Em tom forte, o encerramento da audiência deixou claro o sentimento da Casa de Leis: a Sociedade Esportiva Guaxupé é um patrimônio histórico da comunidade e não pode ser gerida de costas para o município. “Não somos bobos. O povo de Guaxupé quer seriedade e transparência para que o sonho de ver o time em campo volte a ser realidade”, concluiu a vereança.
A íntegra da transmissão da Audiência Pública está disponível no canal oficial da Câmara Municipal de Guaxupé no YouTube.
Fonte: Assessoria de Comunicação da Câmara Municipal de Guaxupé